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Vida com dois sentidos

Vida com dois sentidos

20 Primaveras

Hoje deixo de ser "teen". Hoje passo, supostamente, a pertencer aos adultos. Deixo a adolêscencia e tudo o que ela implica para trás. Na realidade, muito antes da chegada dos meus 20 anos, já o tinha feito em certos aspetos. 

Neste momento, só quero que os 20 anos me tragam tudo o que os 19 não trouxeram. Quero mais amor, mais diversão, mais pessoas boas. Quero ter um 2º ano de faculdade excelente. Quero ter os meus do meu lado. Entrei neste dia da melhor forma possível. Que venham o 20,21,22... Estou pronta para tudo isso e muito mais!

 

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Onde o Céu é Azul

A faculdade trouxe-me muitas coisas boas, já aqui o referi várias vezes. Além de pessoas e momentos inesquecíveis, deu-me também a oportunidade de fazer parte de um projeto que me enche o coração. Tenho um blog de família. Um blog que era da minha madrinha, mas que, por falta do tempo, teve de ser posto de parte. Nós, os 10 rebentos dela, decidimos pegar num projeto que lhe dizia tanto e fazê-lo nosso também. Nasceu o "Onde o Céu é Azul" com uma nova cara, novos escritores, novas ideias, mas sempre com a mesmo objetivo. Escrever. Com amor. Porque o amor é o que nos leva mais longe. Sempre. 

Deixo-vos aqui o link para que possam visitar e ler tudo o que lá foi publicado. 

 

http://ondeoceueazul.wixsite.com/blog

Uma Engenheira no mundo das Letras.

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Acredito com todas as minhas forças que todas as pessoas que entram na minha vida o fazem com um propósito. Nada é em vão. Por muito pouco tempo que estejam comigo, ensinam-me algo. Bom ou mau ensinam. 

Tu vieste para virar tudo de pernas para o ar. Para me ensinar que são nos piores momentos que devemos soltar as nossas melhores gargalhadas. Para me mostrar que nada tem um fim definitivo. Para me fazer voltar ao mundo das crianças.

Trouxeste vida, sorrisos, vontade de melhorar. Passo a passo. Caminho a caminho. Contigo nada é linear. Contigo nada é estático. És vida. És gargalhadas. És aleatoridade. És do melhor que a vida e a faculdade me podiam dar. Porque fazes com que nunca esteja sozinha. Porque fazes um esforço para me perceber. Porque nunca me dizes não quando te peço ajuda. 

Hoje sei que sou melhor. Por tua causa. Por todas as gargalhadas que me fizeste soltar ao longo dos duros meses que já lá vão. Por todas as brincadeiras que fomos tendo. Por todos os planos que fizemos e que cumprimos. Precisava do teu pensamento matemático de engenheira com um lado humanístico nunca antes visto. Precisava da tua simplicidade de criança. Necessitava da tua aleatoriedade para me fazer voar num mundo que me era totalmente desconhecido. 

A doçura que transmites com o olhar, dá-me a calma que não tenho. O carinho que passas com cada abraço, dá-me a força que, por vezes, me falta. Cada insulto teu é, para mim, um passo dado para uma amizade que durará uma vida. 

Juntas deixamos a idade adulta, que os 20 anos exigem, para trás. Deixamos de ser alunas de faculdade. Deixamos de ser sérias, carrancudas, extremamente responsáveis. Passamos a ser crianças, felizes, com uma alegria que contagia qualquer um. Passamos a ser brincadeira, estupidez e descontração. 

Que nunca nos faltem os sorrisos e a vontade de brincar. Que nunca nos passe a vontade de ser "básicas" e a vontade de descontruir tudo o que nos rodeia. Que nunca deixemos de ser meninas-mulheres e que a vontade de sermos felizes seja sempre superior às infelicidades e aos buracos que a vida se encarrega de pôr nos nossos caminhos.

Ao fim de 1 ano, sei que encontrei uma amiga para a vida. Uma engenheira que tem uma veia poética que a puxa para o mundo encantado das Letras e a afasta do mundo complicado dos números. A ti, que és a amiga das gargalhadas nos momentos mais inapropriados, um grande obrigada. 

 

 

Serei sempre Novata

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 Hoje reparei que nunca mais tinha falei da Real Tertúlia dos Bastardos - o grupo académico do qual faço parte. 

Como estudante do 1º ano, fui novata. E fui tão feliz como novata. Tão feliz que gostava de ser para sempre novata e poder viver tudo vezes e vezes sem conta. É indiscritível a sensação de levar o símbolo deste grupo ao peito e poder dizer que faço parte dele.

A verdade é que somos família. Mais do que muitos imaginam. Mais do que eu estava à espera. Cada uma daquelas pessoas tornou a minha vida um bocadinho mais feliz. Semana após semana. Reunião após reunião. Foi na Real Tertúlia dos Bastardos que encontrei o meu lugar no mundo gigante que é a Academia.

Encontrei uma madrinha que me enche de amor e carinho, que me ajuda quando mais preciso, que me faz sentir especial a cada passo que damos. Tive direito a 9 fantásticos irmãos com quem "divido" a minha madrinha. E somos felizes por sermos tantos, porque, no fim do dia, o que nos une é o amor que sentimos por aquela que é a nossa "mãe" e por aquela que é a nossa casa, a Real Tertúlia dos Bastardos.

Tive direito a um Compromisso, a um Batismo, a uma Serenata. No compromisso, jurei amar a Tertúlia e honrar todos os seus momentos. Jurei ser Bastarda. No batismo, fui apelidada Fada Norte de Oz, juntando-me a uma família que não irá acabar. A Família de Oz. Na noite da monumental serenata, foi-me traçada a capa, fechando, assim, um ano que eu não queria que acabasse. O meu ano de Novata. O meu ano como bebé num mundo tão grande e maravilhoso para ser descoberto. Um ano em que as responsabilidades eram grandes, mas muito pequeninas comparadas com aquilo que ainda aí vem.

Não me importava de ser Novata outra vez. Não me importava de voltar a viver tudo de novo outra vez. Não me importava de continuar bebé, de continuar uma das pessoas novas. Aprendi tanto este ano! Fiz amigos para toda a vida. Ganhei um respeito diferente daquele que já tinha pela Academia. E fui tão, mas tão feliz!

Fui, sou e serei sempre Novata, tal como serei sempre Bastarda, orgulhosa do símbolo que leva no peito.

Mentalidades demasiado pequenas

O Rui Maria Pêgo, filho da Júlia Pinheiro, há uns dias atrás fez um post, uma espécie de reflexão, na sua página de facebook sobre o que se passou em Orlando, nos Estados Unidos, assumindo a sua homossexualidade no final do seu texto. Pois bem, até aqui está tudo bem. Sendo figura pública e filho da pessoa que é, este assunto tomou proporções gigantes na imprensa.

Ontem, numa dessas rubricas dos programas de televisão em que se fala sobre as notícias que saem nas revistas cor-de-rosa, João Malheiro deu a sua opinião. E qual é a sua opinião? Que a homossexualidade é uma doença. Eu sei que se deve respeitar a opinião de todos, mas há limites. 

É nestas alturas que eu me apercebo que, afinal, ainda não evoluímos o suficiente para aceitarmos que as pessoas não são todas iguais, que não seguimos todos o mesmo caminho, mas que, no final de contas, somos todos seres humanos e que o amor é o mais importante.

Este senhor, sendo quem é, devia ter tido um bocadinho mais de cuidado ao comentar o que estava a comentar. Devia ter tido um bocadinho mais de respeito e de bom senso. Não somos todos iguais, nem temos de o ser. Cada um é como é. O que importa é a felicidade que isso nos traz. 

Este tipo de situações deixa-me revoltada e sem palavras. Este país ainda é feito de mentalidades demasiado pequenas e não consegue acompanhar a grandeza das pessoas de que é feito. 

 

Pray for the World

 

 

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O Mundo anda, definitivamente, virado do avesso. A noção do que está correto ou o que está errado deixou de existir. O ódio veio substituir o amor. A calma e a paz deram os seus lugares ao medo e ao pânico. 

O que aconteceu em Orlando foi uma pequena (grande!) prova disso. Não existe qualquer tipo de explicação para que 50 pessoas tenham sido mortas e muitas outras tenham ficado feridas. Não existe qualquer tipo de explicação para que um "homem" ter entrado num discoteca aos tiros como se não houvesse amanhã. Não existe explicação para que um beijo entre duas pessoas, sejam elas do mesmo sexo ou não, tenha despoletado todo este cenário de sangue. Simplesmente, não existe desculpa.

O preconceito já existe há muito tempo, mas nunca foi tão demonstrada como nos últimos anos. Nunca o Mundo foi alvo de tanto ódio como agora. Nunca a humanidade foi tão atacada como nos últimos tempos. E porquê? Porque as pessoas não conseguem viver com as diferenças dos outros, porque existem estereótipos que toldam o pensamento, porque odiar o outro é muito mais fácil do que amar.

O ataque não foi uma ataque a uma comunidade. Foi um ataque a toda a humanidade. A orientação sexual de cada uma das pessoas feridas e mortas não devia importar. As escolhas que cada um faz para si, deviam ser só preocupação sua. Ninguém tem o direito de ceifar vidas desta forma. Ninguém tem o direito de dizer que este ou aquele é isto e aquilo só porque não vivem e vêm a vida da mesma forma que todos os outros.

O Mundo precisa, urgentemente, de uma mudança drástica. Para que não existam mais ataques destes, para que o ódio se dissipe e o amor percorra todos nós. Para que a paz possa ser sempre mais importante que a guerra. Depois deste ataque, o Mundo ficou mais pequenino no que toca a esperança. Somos humanos, mas cada vez menos pessoas. Porque uma pessoa, com sentimentos, com consciência, nunca faria uma coisa destas.

Dias - a ironia do tempo e do teu apelido.

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Dizem que o tempo é o nosso maior aliado na cura de qualquer tipo de dor. Ouvi o "dá tempo ao tempo" milhões de vezes. A resposta era sempre a mesma. Um "eu sei" sem qualquer tipo de sentimento, sem acreditar no que estava a dizer. A verdade é que o tempo não ajuda. Só piora. Os dias passam e as saudades aumentam, a ansiedade e vontade de ver aquela pessoa aumentam. Não há nada a fazer. Vive-se a vida como se pode. Com a sensação que nos falta sempre alguma coisa. Mas vive-se. Dia a dia. E vai-se lidando com todos aqueles sentimentos que nos assombram o coração praticamente de hora a hora.

Mas foi a tua ausência que ditou o fim. O fim de um ciclo que eu nunca pensei vir a fechar. Uma altura da minha vida que eu queria levar comigo durante muitos anos. Desapareceste. Sem te custar absolutamente nada. Tudo aquilo que foi dito, foi esquecido por ti. Porque te convinha. Porque existe algo em ti que simplesmente não quer saber dos outros. Porque o egoísmo faz parte do ser humano e o teu veio ao de cima com a pessoa que menos merecia levar com ele. 

Desapareceste e contigo levaste muitas das coisas - e até pessoas-  boas que guardava comigo. Tuas. Nossas. Tudo aquilo que via de bom em ti, e hoje continuo a defender com unhas e dentes perante os outros, está cada vez mais longe nas minhas memórias. E eu continuo a querer acreditar que tu és genuinamente bom e que as tuas atitudes são fruto da tenra idade que tens, mas começa a tornar-se impossível.

A tua ausência é só o que sinto hoje em dia. Isso e as palavras que me disseste num tempo já considerado longínquo para mim. Doem e destroem tudo o que de bom guardo teu. E é uma pena. Porque nós tínhamos tanto para dar juntos. Como amigos. E eu gostava tanto de ti, caraças. Hoje gosto menos um bocadinho. A cada dia que passa, o amor que te tenho vai-se perdendo pelos caminhos que tenho traçado.

O tempo? Esse vai passando, mas sem me facilitar a vida e o coração. Sem que me cure todas as minhas maleitas. O relógio não para, mas não é ele que me ajuda a curar. É a tua ausência que dita o fim. 

 

Hoje a Academia do Porto está de luto.

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Faço parte, desde Setembro, da Academia do Porto e digo, com toda a certeza que me é possivel, que a Academia do Porto não é isto. Não é esta violência gratuita que, por vezes, existe nas instalações de alguma das instituições da UP. Acho horrível toda esta situação. Foi tirada uma vida por nada. Um rapaz, de 20 anos, que ainda tinha imenso para viver e para dar, ter sido brutalmente espancado e morto só porque sim. O facto de se achar que os inconscientes que fizeram isto também fazer parte da Academia ainda me deixa mais incomodada. Existem pessoas más, eu sei, mas tamanha brutalidade e tamanha falta de bom senso, deixa-me sem palavras. Até que ponto é que a maldade vai? 4 pessoas contra 1? Existe maior ato de covardia do que este? Existe maior burrice do que esta? Não existe explicação possível para este tipo de ataques. Não existe qualquer tipo de consolo que se possa dar à família deste rapaz. As explicações, por muito que sejam encontradas, não trarão paz aos avós deste estudante, porque, na realidade, não há nada que explique este ato de barbaridade pura. Não existe qualquer tipo de desculpa para as pessoas que fizeram isto.

Espero, sinceramente, que os culpados disto sejam apanhados e que sejam devidamente punidos  pelos seus atos. Espero também que,depois deste acontecimentos (e infelizmente não é o único), se comecem a tomar sérias medidas de segurança. Sejam durante o dia, seja durante a noite. É verdade que o estudante de 20 anos vinha de uma festa, mas isso não quer dizer que não mereça ser protegido. Tal como cada um dos estudantes que pertencem a toda a Academia. O que acontece de noite, também pode acontecer de dia e o clima de insegurança não pode ser mantido, nem sequer devia ser sentido. A violência gratuita tem de acabar e ser combatida de alguma forma. A estupidez do ser humano tem mesmo de acabar.

Espero que este caso não caia no esquecimento e que seja um exemplo para todos os que fazem e não fazem parte da Academia.

Não há fim à vista.

 

 

                                              

A guerra nunca acabará. É uma utopia pensarmos que este mal acabará. Nunca acabará enquanto a Humanidade não progredir. Este mal começou muito antes dos atentados de Paris em novembro. Este mal entrou na nossa vida no 11 de setembro de 2001, em Nova Iorque. Em 2004, em Madrid. Em 2015, no Beirute e no Kuwait. Em 2016, em Bruxelas e em Ankara.

É de realçar que nem todos estes ataques foram terroristas. É de realçar que nem sempre é o Estado Islâmico que está à frente deste tipo de ataques. A Humanidade é responsável por isto. A Europa tem a sua quota de culpa em tudo o que tem acontecido. 

Somos uma fortaleza muito pouco forte. Tentámos passar uma imagem que está longe de ser a real. Somos os responsáveis de muitos destes ataques. Temos muito sangue nas mãos. Mais do que aquele de que temos noção. Nunca estaremos isentos de culpa. 

Todos os dias morrem milhares de pessoas por todo o Mundo. Vítimas de atrocidades destas ou de coisas parecidas. É um ciclo vicioso que não vai parar tão cedo. Somos muitos pequeninos ainda. Existem valores que deviam ser passados e que não o são. Existem valores que deviam sem completamente abolidos e continuam a ser espalhados como os mais corretos. Não há maneira de acabar com a guerra enquanto continuar a haver ódio no Homem. Enquanto existirem causas que levam homens à morte desnecessariamente, este mal nunca acabará.

Ontem foi só mais um exemplo de que a Humanidade regride todos os dias mais um bocadinho.