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Vida com dois sentidos

Vida com dois sentidos

Stupid Love

 

"I'm crazy for you
Lord know what I'd do
I'd even die for you
Whatever you need
I'm down on my knees
I guess that means
I guess that means
I'm dam da da rid a dam
Dam da da rid a dam
Dam da da rid a dam
I'm stupid in love
Dam da da rid a dam
Dam da da rid a dam
Dam da da rid a dam
Stupid
I'm stupid in love, stupid"

Uma doença chamada cancro...

Deve ser das doenças de que mais falo nos últimos anos. Ou porque na minha família (primos afastados) foram descobertos casos de cancro, ou porque morreu alguém que eu conhecia com ele. Mas nunca me deixei afectar porque não assistia ao sofrimento que toda a doença traz com ela.

Ontem morreu a mãe de uma amiga minha. Amiga essa que tem 15 anos. Ela sabia que a mãe estava no leito da morte. Toda a gente sabia. Já tiha cancro há vários anos. Inicialmente no estomâgo, que foi dizimado pelos tratamentos, mas, infelizmente, apareceram, mais tarde, metasteses no intestino que acabaram por se alastrar para os pulmões. Foi fatal.

Agora eu pergunto: Como é que se diz a uma miúda de 15 anos que, apesar de estar ciente da situação da mãe e saber que ela ia acabar por falecer, nunca mais vai ver a mãe? Como é que se olha para uma pessoa e se diz que vai ficar tudo bem qundo sabemos perfeitamente que não vai? Como é que se suporta ver uma amiga completamente de rastos, a chorar e a chamar pela mãe?

Fui, pela primeira vez, a um velório, ontem. Fui por respeito à minha amiga, porque sabia que ela precisava de mim e porque sabia que é o momento mais difícil da vida dela. Foi de cortar a respiração. Foi como se todo o mundo que me rodeia desabasse ali. Perante o corpo da mãe dela. O choro da minha amiga, a apatia do pai dela, o ambiente pesado e aquele silêncio incomodativo. Não sabia o que dizer. Não sabia o que fazer perante aquela situação.

Nunca me deixei afetar por conversas onde o tema cancro fosse imperativo, mas sei que a partir de agora vou fazê-lo, porque vi o sofrimento todo que a doença provoca.

Não é justo. Uma pessoa perder a vida assim... Deixar uma miuda de 15 anos sem mãe, um marido sem mulher, uma mãe sem filha... Todo o sofrimento dilacerante que eu assisti ontem foi por causa de uma doença... Uma doença chamada cancro...

Sinto falta

 

Há coisas que nunca deveriam deixar de acontecer. As pessoas nunca deviam deixar de ter tempo para fazer cercas coisas. Nunca deviam deixar que outras pessoas ocupam-se o lugar das que lá estavam. 

O tempo passa e nós crescemos. Passámos a ter outros amigos, a ter outra vida, a ter outros horários, outra mentalidade e outra maneira de agir. É a lei da vida. Não podemos fazer nada. Não podemos obrigar ninguém a ficar como nós gostamos que elas sejam. Mas deixa saudade. Muita.

Tenho imensa falta das minhas meninas. Aquelas com quem passava grandes serões nas festas de anos. Aquelas com quem dizia os maiores disparates do mundo e com quem brincava sempre. Aquelas com quem eu tinha conversas que eu sabia que ficavam ali. 

Duas dessas pessoas vejo-as todos os dias, mas tudo mudou. Agora é dar um beijinho, perguntar se está tudo bem e andar em frente. O tempo é escasso, os amigos são outros, as vidas diferem. Mas tenho saudades porque me identifico muito com elas (mais com uma do que com outra, mas isos não interessa), porque gosto muito, mas mesmo muito delas e porque quero que elas façam parte da minha vida durante muitos anos. Já falei numa das minhas meninas aqui. É dessa de quem mais falta sinto. É dessa que de quem mais me custa estar "distante". É dessa com quem me identifico mais. 

A vida muda, o tempo escasseia, as pessoas seguem o seu caminho, mas se há coisa que em mim não muda é o quanto gosto e sinto a falta delas.

Avô,

Nem sempre foste bom. Nem sempre foste como és hoje. Nem sempre te vi a pedir um abraço ou um beijo. Nem sempre te vi tão agarrado à avó. Já foste mau. Já maltrataste muito a minha avó. Não deixaste a minha mãe, a tia e o tio continuarem a estudar. Sempre foste uma pessoa de extremos, uma pessoa de vícios. Sempre foste uma pessoa teimosa. Sempre gostaste que as coisas fossem á tua maneira. Sei que a vida não foi fácil para ti. Foi cruel, muito cruel. A tua mãe cegou muito cedo. Perdeste o teu pai de repente. Tiveste de abandonar a tua vida para ir para o ultramar. Viste coisas inimagináveis. Tiveste de trabalhar desde cedo e nunca podeste dar tudo o que querias aos teus filhos.  
Mudaste. A doença, que tinhas desde os 27 anos e de que nunca quiseste saber, começou a corroer-te as entranhas. Tirou-te a visão aos poucos e poucos. Tem-te tirado a mobilidade. Tem-te tirado a lucidez. Estás a ver a tua vida a mudar e a não poderes fazer nada. Já pensaste em desistir.

Já falaste muitas vezes que não queres continuar neste mundo. Já te vi chorar. Já te vi praticamente inanimado. 
Hoje, mudaste. Passaste a dar valor à tua família. Aos teus filhos. Aos teus netos. Hoje já não passas sem um beijo e um abraço de cada um dos teus netos. Hoje já não passas sem a minha avó. Hoje já lhe dás valor. Hoje és das pessoas mais frageis que conheço, mas, ao mesmo tempo, a mais forte. Hoje já não és mau. Mudaste. Muito. E eu? Continuo aqui. A amar-te com tudo o que tenho e a torcer para que melhores, para que me possas ver acabar o secundário e a faculdade. Para que me possas ver casar. Para que possas conhecer os teus bisnetos. Hoje não há vergonha, nem há filtros. Hoje digo que te amo sem qualquer desconforto. Até ao último dos teus dias, irei amar-te sempre.
És tudo, avô.  

É mesmo isto!

 

"Mas descobri que não preciso brigar, falar o que penso, enfiar o dedo na cara, desejar o seu mal ou falar o quanto você é um cretino para todo mundo. Vou deixar a vida te ensinar. O que quero é que você vá para bem longe com sua felicidade falsa, seu coração vagabundo e sua inveja fantasiada de anjo."

Era de uma mudança que eu precisava

Cortei o cabelo. Muito e não me custou nada. Antes era o cabo dos trabalho para cortar o cabelo e eu andei dois meses par o cortar desta vez, mas desta vez foi diferente. Acho que estava precisar de uma mudança, de algo que me fizesse sentir bem. Gosto muito de me ver como estou agora. Acho que me sinto melhor agora, sinto-me mais leve e, por incrível que pareça, muito mais sorridente. O meu novo corte de cabelo suscitou algumas conversas. Há quem goste. Há quem não goste. Há quem diga que me fica bem. Há quem diga que gostam mais de me ver com o cabelo comprido. Mas querem saber? Acho que vou começar a ter destas ideias mais vezes...

Hoje sinto-me bem

 

Hoje sinto-me bem- Muito bem, aliás. Ontem estive com a minha menina e fez-me lindamente. Foi como uma lufada de ar fresco, como se a minha bateria tivesse sido recarregada. É bom estar com ela porque raramente o faço. Estivemos um mês sem nos vermos, mas foi como estivessemos estado todos os dias juntas. 

Ontem vi-a como já não a vi há muito tempo. Vi a minha melhor amiga de antes.Não a senti fria nem distante. Vi-a descontraída e contente como já não a via há muito tempo. Ontem senti que nada tinha mudado, que continuámos a ser nós as duas e que não há namorados, distâncias ou outras coisas que tal que mude isso. Ontem recebi o abraço e o beijinho na testa de que tanto precisava. Voltei a sentir-me protegida, voltei a sentir-me pequenina e que a tenho sempre comigo. Vi ternura nos olhos dela. Vi o quanto gosta de mim porque ela não é de muitas palavras, mas os olhos dela dizem tudo.

Ontem tive a minha melhor amiga de antes e, por isso, hoje sinto-me bem. 

 

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