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Vida com dois sentidos

Vida com dois sentidos

Férias, venham que eu preciso de vocês!

 

A última semana não foi fácil. Tive teste de história que me deixou de rastos. Além de ter a pressão de subir o 10 que tinha tido no 1º teste, a minha professora, desta vez, decidiu "brincar" connosco e, no dia anterior ao teste, tirou 20 páginas de matéria, mas acrescentou mais 15 que deu nesse mesmo dia muito por alto. Entrei em plena paranóia e só chorava. Não sabia o que fazer. Sentia que não ia conseguir fazer o teste e que ia ter uma bela de uma nega. Chegou o dia do teste e correu tudo mais ou menos bem. Acho que as minhas respostas estão bastantes razoáveis e que dão para uma boa nota, mas veremos...

Para além disto, ando extremamente cansada. O bom do 12º ano é termos imenso tempo para fazermos tudo e para nos conseguirmos organizar a nossa vida. Os que estão em humanidades ainda mais. Mas tem a parte má. Eu tenho um horário excelente, mas este período estive para aí 4 semanas sem anda para fazer e depois tive as últimas 3 cheia de testes e trabalhos que vão ter de ser apresentados nas próximas 2.

Está mesmo à porta o fim do 2º período e as dúvidas e o medo começam a surgir. Dúvidas sobre se o que, neste momento, quero muito fazer será o que quero fazer daqui a 5 ou 10 anos. Medo de não conseguir entrar na faculdade, de falhar, de estar a esforçar-me ao máximo e chegar ao fim e não ser o suficiente.

Por isso, férias venham o mais rápido que puderem!

 

Alguém me Ouviu

 

Não me resta nada, sinto não ter forças para lutar
É como morrer de sede no meio do mar e afogar
Sinto-me isolado com tanta gente à minha volta
Vocês não ouvem o grito da minha revolta
Choro a rir, isto é mais forte do que pensei
Por dentro sou um mendigo que aparenta ser um rei
Não sei do que fujo, a esperança pouca me resta
É triste ser tão novo e já achar que a vida não presta
As pernas tremem, o tempo passa, sinto cansaço
O vento sopra, ao espelho vejo o fracasso
O dia amanhece, algo me diz para ter cuidado
Vagueio sem destino nem sei se estou acordado
O sorriso escasseia, hoje a tristeza é rainha
Não sei a alma existe mas sei que alguém feriu a minha
Às vezes penso se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que diz..

Chorei
Mas não sei se alguém me ouviu
E não sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Busquei
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Não há dia que não pergunte a Deus porque nasci
Eu não pedi, alguém me diga o que faço aqui
Se dependesse de mim teria ficado onde estava
Onde não pensava, não existia e não chorava
Sou prisioneiro de mim próprio, o meu pior inimigo
Às vezes penso que passo tempo de mais comigo
Olho para os lados, não vejo ninguém para me ajudar
Um ombro para me apoiar, um sorriso para me animar
Quem sou eu? Para onde vou? Donde vim?
Alguém me diga porque me sinto assim
Sinto que a culpa é minha mas não sei bem porquê
Sinto lágrimas nos meus olhos mas ninguém as vê
Estou farto de mim, farto daquilo que sou, farto daquilo que penso
Mostrem-me a saída deste abismo imenso
Pergunto-me se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz...

Tento não me ir abaixo mas não sou de ferro
Quando penso que tudo vai passar parece que mais me enterro
Sinto uma nuvem cinzenta que me acompanha onde estiver
E penso para mim mesmo será que Deus me quer
Será a vida apenas uma corrida para a morte?
Cada um com a sua sina, cada um com a sua sorte
Não peço muito, não peço mais do que tenho direito
Olho para trás e analiso tudo o que tenho feito
E mesmo quando errei foi a tentar fazer bem
Não sei o que é o ódio não desejo mal a ninguém
Há-de surgir um raio de luz no meio da porcaria
Porque até um relógio parado está certo duas vezes por dia
Vou-me aguentando, a esperança é a última a morrer
Neste jogo incerto que o resultado não posso prever
E quando penso em desistir por me sentir infeliz
Oiço uma voz dentro de mim que me diz... Mantém-te firme

Posso falar em homofobia?

 

Não me vou pôr aqui com rodeios, nem com falinhas mansas. Acho que não é tempo disso. A revolta, a vergonha, a perplexidade são demasiado grandes.

Afinal em que País é que vivo? Num País onde os deputados são todos uma cambada de homofóbicos? Onde os ideiais políticos - e pessoais como é óbvio - são mais importantes que a vida, a felicidade, o futuro de crianças? Crianças essas que não tem família, que não tem um futuro salvaguardado, que não tem as hipóteses que as outras crianças, que tem uma família, têm.

Onde é que anda a igualdade que tanto o nosso Primeiro Ministro, o Presidente da República, os deputados todos tem apregoado incessantemente nos últimos tempos? Onde é que estão os direitos? Porque é que um casal heterossexual pode co-adotar e um casal homossexual não pode?

Não me venham dizer que as crianças correm riscos de tomarem o mesmo caminho em relação à orientação sexual porque isso em mim não cola. Já ouvi muitos psicólogos a dizer que não existe qualquer hipótese de isso acontecer. Escusam de vir falar em bullying e de como as crianças são maldosas na escola. Eu sei que, hoje em dia, essa é a realidade da nossas escolas. Sei que imensos miúdos são vítimas de violência, quer física quer psicológica, por parte dos colegas, mas isso é uma coisa que se trabalha. Tem a ver com a mentalidade. Com a abertura desta. Com o enraizar de certos valores e certas noções que, infelizmente, hoje em dia ainda não existem.

Existem tantos casais heterossexuais que são pais e que, muito provavelmente, maltratam os seus filhos. Porque é que essa gente não é proibida de ser o tutor, de ser o educador, de ser o pai ou a mãe de uma criança? Porque é que impedem os que mais amor tem para dar de o fazer? Porque é que não fazem uma lei a impedir essa gente de ter qualquer direito sobre outro ser humano? Os homossexuais tem menos capacidades que os outros? Será que esta gente, que votou não, saberá o impacto que, a ausência do nome de um dos seus pais ou uma das suas mães nos seus documentos, terá na vida de uma criança? O que será das crianças, que são adotadas por um elemento do casal e esse mesmo elemento falecer, e o outro não tiver qualquer direito legar sobre ela? São outra vez devolvidas aos orfanatos? São entregues há família do falecido quando pode ter uma vida perfeitamente estável com om outro pai ou a outra mãe?

Vamos deixar-nos de hipócrisias, de discursos cheios de palavras bonitos, mas que são vazios em conteúdo. Estamos a falar de crianças! Crianças!

Hoje tenho vergonha em ser portuguesa. Em fazer parte deste País retrógrado. Onde as mentalidades são tão fechadas e onde os interesses pessoais são mais importantes do que a vida de pessoas que não tem poder de decisão.

Mais um...

 

Há dias bons e dias maus. Há dias em que tudo está bem, que o sorriso está na cara e não há nada que o faça sair do sítio que ele tanta gosta. Em que o sol nos faz sentir bem dispostos e que temos a certeza que tudo está bem. E depois há o contrário... Há dias em que tudo se transforma num inferno, em que só nos apetece fugir e só voltarmos quando nos apetecer... 

Hoje é esse dia. Em que vejo a minha vida completamente virada do avesso. Em que não vejo futuro para nada, não sei o que fazer. Estou simplesmente perdida. O melhor nestes dias é deixar as lágrimas correrem pela face e deixar que elas me limpem a alma, que me causem tal cansaço que eu caia na cama e adormeça logo para no dia seguinte não me lembrar de nada do que se passa. 

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