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Vida com dois sentidos

Vida com dois sentidos

25 de Abril

 

 

Sei que já passa da meia-noite, que hoje já é dia 26, mas não posso deixar de escrever sobre o 25 Abril. Tenho 17 anos. Estou a caminho dos 18, por isso não sei o que foi realmente o 25 Abril. Sei o que andei a estudar há umas semanas atrás. Sei a teoria. Sei o que se diz, mas não o vivi, não assisti, por isso não posso falar sobre este dia tão importante para a nossa nação como se fosse uma entendida no assunto, porque não o sou.

Sou uma simples adolescente. Cresci com liberdade, sem qualquer tipo de impedimentos no que toca a dizer o que me vai na mente e na alma, sem qualquer tipo de impedimento de fazer aquilo que sempre gostei (claro que com a supervisão e aprovação dos meus pais).

Neste momento, tenho poder de escolha. Em relação ao meu futuro, ao meu país (não é bem assim, mas pronto), ao que quero fazer com a minha vida. Não há ninguém a dizer de forma disfarçada que devia ir para ali ou para acolá, só porque o governo ou quem mandava queria aquilo para a população. Hoje questiono, ponho em causa, discuto, dou asas à inha imaginação, ao meu pensamento e posso exprimir-me como quero.

Há 40 anos não era assim. Não me consigo imagonar sem esta liberdade, sem este espaço que nos dão para crescer, para sermos adultos com todo o tipo de informação, para tentar mudar aquilo que está mal. Hoje estou agradecida por os Capitães de Abril terem intercidido naquilo que era a ditadura, por terem dado a oportunidade de as gerações seguintes se oudessem manifestar sem estar sempre a olhar para cima do ombro com medo de uma reprimenda. Obrigada por me terem deixado crescer numa realidade muito mais abrangente.

Hoje sou um adolescente que pode ser comparada a uma pomba porque posso voar para onde quiser sem que ninguém me imponha regras e caminhos já pré-concebidos.

Remember

 

O problema das lembranças é que por mais que sejam apenas lembranças, você sempre terá esperança de que elas possam ser mais que isso, o que é um grande erro; Esperar que o passado retorne ao seu presente é como esperar que uma parede seja reconstruída sobre uma base frágil.

Volta

 

Volta,
Fica só mais um segundo.
Espera-te um abraço profundo,
Nele damos voltas ao mundo,
No amor mergulhamos a fundo.
Quero-te só mais um momento
Para pintar o teu céu cinzento,
Marcar o teu rosto no meu peito,
Recrearmos um dia perfeito.
Volta para bem dos meus medos,
Preciso de ti nos meus dedos,
De acordar-te sempre com segredos...
Com um sorriso paravas o tempo!
Volta porque não aguento,
Sem ti tudo ficou cinzento.
Prefiro ter-te com todos os defeitos
Do que não te ter no meu peito.
Porque sem ti não consigo,
Volta para me dar sentido.
Sou apenas um corpo perdido,
Por isso só te peço que voltes.

Volta. Volta. Volta. Volta. Volta.

Mas tu não voltas,
Partiste para outro mundo,
Deixaste-me aqui bem no fundo,
Só peço por mais um segundo...
Volta só por um segundo.

Podemos definir a vida como...

 

...um livro. Onde cada um escreve o que bem lhe apraz. Desde memórias felizes a passagens mais tristes, onde as lágrimas e os sorrisos são sempre os convidados especiais.

O mundo é feito de livros. Milhões e milhões deles. Uns mais pequenos. Outros maiorzitos. O mais importante é que se escreva neste livro chamado Vida. Porque é a nossa história. Porque é o que faz de nós o que somos. Porque não há nada como voltar atrás umas páginas e lermos aquilo que se fez antes, recordar aqueles momentos mais marcantes.

Nem toda a gente tem a facilidade e a oportunidade de escrever um livro com muitas páginas que contenham uma variedade bastante agradável de boas memórias, recordações que marcam o livro quando este estiver acabado. Ou porque não tiveram uma vida nada fácil ou porque não há qualquer tipo de vontade de as escrever, mas quem tenha essa chance de escrever que as escreva. Vale a pena.

Ao longo destes quase 18 anos, tenho tido a sorte de poder escrever tudo o que quero e bem me apetece. Como toda a gente tenho páginas onde é a tristeza, o desespero, a perda imperam, mas tenho mais páginas que fzem soltar gargalhadas, sorrisos, que valem a pena ler e reler as vezes que se quiser.

Pode-se definir a vida como um livro. Porque podemos escrever vários ao longo dos anos conforme as várias fases que a nossa vida vai assumindo e nós vamos vivendo. Porque vale a pena escrever diariamente sobre tudo e mais alguma coisa. Porque fica sempre gravado em nós. Porque, se a nossa vida for feita de bondade, de generosidade, de partilha, podemos passar um legado. Porque podemos ser recordados durante muitos anos. Tal e qual como os livros.

 

"Posso morrer do cancro, mas ele nunca me matará"

Hoje o País ficou mais pobre de espírito, de empreendorismo, de força, de esperança. Morreu Manuel Forjaz. O homem que durante os últimos 5 anos lutou contra um cancro, mas que, infelizmente, e como muitos neste pequeno País, perdeu a luta tão ingrata e tão desigual.

Na minha opinião, era um homem com uma força sem precendentes. Na semana passada, ao ver a entrevista dele ao Daniel Oliveira para o Alta Definição (podem ver a entrevista aqui) fiquei a perceber que aquele homem que estava na televisão era um lutador. Nunca baixou a cabeça, nunca deixou de lutar, nunca deixou de sonha, nunca deixou de viver. Tinha uma doença mortal. Sabia disso. Sabia que não durava muito mais. Mas nunca desistiu. Era o homem do empreendorismo. Era o homem dos sonhos. Era o homem da vida. Perdeu-se uma mais valia para o país, mas cá fica o seu legado como pai do empreendorismo, como o guerreiro que deu o exemplo e ajudou muita gente nesta luta tão infiel, tão injusta. Que descanse em paz.

Perda e a esperança

 

Nunca se está pronto para se perder alguém. Muito menos se for um avô. Neste momento, agarro-me à esperança. Esperança de que ele vá recuperar, de que ele fique bem para, pelo menos, sair do hospital e para ir para o lar. Agarro-me à esperança de que ele se agarre há vida como se agarrou há uns meses atrás, mas, no fundo, eu sei....

Sei que ele não dura muito mais, sei que ele não tem muitas mais forças, que o corpo não aguenta muito mais. Porque a demência é isso. É a perda da realidade tal e qual como a conhecemos. É a perda da identidade de uma pessoa, da história de uma vida. Então quando a demência se alia a uma infeção respiratória perde-se o chão. A pessoa, que é vítima destas duas doenças, acaba por não saber o que se passa. A família que faz tudo o que pode para combater isto, que faz tudo para dar qualquer tipo de conforto ao doente, mesmo que ele não saiba quem está ali a tentar fazer tudo por ele.

Sei que vou perder o meu avô. Em breve. Mas continuo agarrada há esperança. Continuo a querer que ele me veja acabar o 12º ano, que me veja a entrar na faculdade e que me veja acabar o curso que sempre quis tirar. Continuo a querer que ele me veja a crescer e a tornar-me mulher, que me veja a dar os meus primeiros passos como pessoa adulta, que me veja a tomar as minhas primeiras decisões sem consultar ninguém. Continuo agarrada há esperança que ele sobreviva a isto e que, mesmo não voltando para casa e vá para um lar, eu o possa ver durante muitos anos, porque não estou preparada para o perder... Não mesmo...

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