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Vida com dois sentidos

Vida com dois sentidos

Apresentação de "Os milagres acontecem devagar"

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(A Margarida a autografar-me o livro)

Já aqui tinha falado que tinha sido contactada pela escritora Margarida Rebelo Pinto para um almoço onde esta iria apresentar o seu novo romance e iria conhecer alguns bloggers de quem mais gosta. Eu não pude ir ao almoço devido à minha situação escolar e porque o almoço foi em Lisboa, sendo eu do Porto, e sendo avisada muito em cima de hora não me deu jeito. Como não pude ir ao almoço, prometi que iria comparecer na apresentação do livro "Os milagres acontecem devagar" cá no Porto.

A apresentação foi este Sábado, por isso, às 16h30min, de Sábado, estava eu sentada, com uma amiga, numa das cadeiras da Fnac, como prometido.  A apresentação começou por voltas das 17h e foi fantástica. A Margarida é super simpática, humilde e nota-se claramente que gosta de manter uma relação boa com os seus leitores. O que me marcou mais no meio da sua simplicidade, da sua simpatia foi o facto de se ter lembrado de eu lhe ter dito que lá estaria. Chamou por mim. Não pelo nome Rita, mas sim pelo Catarina, que é o nome que praticamente ninguém associa a mim, mas que já o tinha utilizado aqui em alguns posts.

Foi super querida comigo, deu-me oportunidade para falar sobre este meu cantinho, fez-me algumas perguntas sobre o que me levou a escrever e a criar o blog, como é que comecei a ler as suas obras, pediu-me a minha opinião sobre o livro que já está praticamente lido. Gostei imenso da apresentação, da Margarida e estou a gostar imenso do livro.

Recomendo!

De 1 para 2

 

A nossa vida toda foi feita de mãos dadas. Desde pequenos que, mesmo cada um com o seu caminho, tínhamos uma vida em comum, uma ligação sem igual. Crescemos juntos. Brincámos juntos. Tornámo-nos pessoas juntos. Mesmo nas situações mais complicadas, em que pensávamos que já não dava mais, mantivemo-nos unidos. Sempre te ouvi e tu a mim. Nunca larguei a tua mão e tu igualmente. Até que o inevitável aconteceu.

Arriscamos. Tornamos possível uma coisa que para muitos era uma estupidez. Correu mal e mesmo assim não nos conseguimos largar. Continuamos durante muito tempo agarrados. Eu sentia que, passasse o tempo que passasse, estaria sempre ligada a ti. Afinal eras o meu melhor amigo e os melhores amigos não viram as costas, até quando tudo se torna insuportável.

Aguentei, aguentei, aguentei. Lutei contra toda a vontade de ter largar a mão, lutei contra a vontade de fazer aquilo que sempre disse que nunca faria. A nossa relação de muita boa passou a muita má. Tanto estamos bem como mal. Tanto dizes que serei sempre a mesma pessoa para ti como me dizes que basta. Vou indo ao teu ritmo indo contra todos os meus princípios. Porque continuas a ser o meu melhor amigo. Porque vou gostar sempre de ti.

Até que chega o dia. Aquele que eu pensei que nunca iria chegar. As nossas mãos tem de se largar. As nossas vidas tem de ser separadas. Por muito altruísta que eu seja, eu preciso de ser feliz. Tal como tu. Vou gostar sempre de ti. Serás sempre aquela pessoa importante. Mas longe. Onde nenhum de nós esteja agarrado a um passado que não tinha qualquer tipo de futuro. Antes erámos quase como se fossemos só 1. Hoje passámos a ser 2.

Criança-Adolescente

O maior anseio de qualquer criança é crescer. Tornar-se um adolescente. Ter toda aquela (suposta) liberdade que os adolescentes têm. Qualquer criança quer ser adolescente pelas festas, pelos namorados, pelas loucuras. A adolescência chega e todo aquele mar de rosas se torna numa grande dor de cabeça.

Começam as mudanças de humor repentinas. A estupidez seguida de uma grande presunção. O adolescente é sempre o maior, sabe sempre fazer tudo. Aparecem as grandes paixões e, com elas, as primeiras grandes desilusões. Já numa fase avançada da adolescência dá-se a tomada de consciência.

A partir de um momento, aquela criança que agora é adolescente tem de tomar decisões. Importantes. Daquelas que poderão mudar o seu caminho na vida. Aquela criança que queria crescer, agora não gosta mais de ser crescido.

A vida perde aquele encanto, aquela magia de quando se é pequeno. Os contos de fadas com os principes encantados desaparecem. O amor eterno esfuma-se num amor de dias, semanas ou até poucos meses. Deixa de haver sonhos encantados. A realidade passa a ser a doer.

Aquela criança que hoje em dia é adolescente deixa de querer crescer. Agora quer voltar a ser criança. Deixar de parte as preocupações e dar asos à sua imaginação e à sua inocência. Passa-se de criança a adolescente, mas nunca de adolescente a criança.

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