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Vida com dois sentidos

Vida com dois sentidos

Solidão

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Comunicar com os outros sempre fez parte de mim. Apesar de ser uma pessoa muito envergonhada e introvertida, gosto sempre de saber mais sobre o que e quem me rodeia. É uma das linhas da minha vida. Sendo eu, agora, operadora de caixa de um hipermarcado, tenho imenso contacto com pessoas de todo o lado, passo muitas horas do meu dia a falar nem que sejam só por meros minutos a saber mais sobre este e aquele assunto. Esta mudança na minha vida, fez com que me torna-se numa pessoa que valoriza mais o silêncio e que precisa de estar muitas vezes sozinha. Passei a gostar da solidão e agora é quase uma necessidade minha. Necessidade essa que me tem vindo a trazer alguns dissabores, porque eu posso estar numa sala rodeada de gente que continuo a sentir-me só e tenho mesmo a tendência a fechar-me para sentir que ninguém invade o meu espaço. Sei que este meu estado pode tornar-se muito perigoso e que posso estar a percorrer um caminho que pode não ter volta, mas, neste momento, é esse meu estado solitário que faz com que eu não me desfaça em pedaços nos braços de alguém.

Exames nacionais há porta

 

 

A época dos exames nacionais está a chegar e com ela vem o meu nervosismo e o meu medo. Nos últimos tempos tenho pensado muito em como tenho de ser melhor do que fui no ano passado, de como não posso cometer os mesmo erros, de percorrer o caminho da mesma forma que foi feito no ano passado. Este ano tenho de dar mais de mim, de acreditar mais e de ser a melhor. Isso traz-me dúvidas. 

Nunca fui de ter uma auto-confiança por aí além. Sei que sou boa a fazer certas coisas. Então quando gosto, tento mesmo ser a melhor, mas, neste caso, torna-se complicado acreditar em mim. A insegurança tem-se apoderado de mim de uma maneira que não consigo controlar. É como se tomasse conta do meu corpo e me estivesse a comandar. 

O ter de voltar à minha antiga escola também não ajuda. Vou ter de fazer lá os exames, mas custa-me imenso ter de voltar a percorrer aqueles corredores, sentar-me naquelas mesas. É como se parte de mim me dissesse que aquilo está errado e que vai tudo ser como o passado. Fui muito feliz naquele espaço, mas também passei por coisas insuportáveis. É como se estivesse a abrir gavetas que já estavam fechadas há bastante tempo e que carregam um aviso de "não abrir". 

Tem sido complicado conseguir lidar com tudo e tentar lutar contra o medo e a insegurança que, agora, estão em modo crescente. A minha atenção está virada para os livros e para o ser sempre melhor do que já fui, mas o meu lado negativo tem-se vindo a apoderar e a semear um cansaço que me tem prejudicado. 

A inscrição para os exames já está feita. Agora é agarrar-me aos livros e lutar contra todo o negativismo que já me é característico no último ano. O meu futuro depende disto.