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Vida com dois sentidos

Vida com dois sentidos

Dias - a ironia do tempo e do teu apelido.

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Dizem que o tempo é o nosso maior aliado na cura de qualquer tipo de dor. Ouvi o "dá tempo ao tempo" milhões de vezes. A resposta era sempre a mesma. Um "eu sei" sem qualquer tipo de sentimento, sem acreditar no que estava a dizer. A verdade é que o tempo não ajuda. Só piora. Os dias passam e as saudades aumentam, a ansiedade e vontade de ver aquela pessoa aumentam. Não há nada a fazer. Vive-se a vida como se pode. Com a sensação que nos falta sempre alguma coisa. Mas vive-se. Dia a dia. E vai-se lidando com todos aqueles sentimentos que nos assombram o coração praticamente de hora a hora.

Mas foi a tua ausência que ditou o fim. O fim de um ciclo que eu nunca pensei vir a fechar. Uma altura da minha vida que eu queria levar comigo durante muitos anos. Desapareceste. Sem te custar absolutamente nada. Tudo aquilo que foi dito, foi esquecido por ti. Porque te convinha. Porque existe algo em ti que simplesmente não quer saber dos outros. Porque o egoísmo faz parte do ser humano e o teu veio ao de cima com a pessoa que menos merecia levar com ele. 

Desapareceste e contigo levaste muitas das coisas - e até pessoas-  boas que guardava comigo. Tuas. Nossas. Tudo aquilo que via de bom em ti, e hoje continuo a defender com unhas e dentes perante os outros, está cada vez mais longe nas minhas memórias. E eu continuo a querer acreditar que tu és genuinamente bom e que as tuas atitudes são fruto da tenra idade que tens, mas começa a tornar-se impossível.

A tua ausência é só o que sinto hoje em dia. Isso e as palavras que me disseste num tempo já considerado longínquo para mim. Doem e destroem tudo o que de bom guardo teu. E é uma pena. Porque nós tínhamos tanto para dar juntos. Como amigos. E eu gostava tanto de ti, caraças. Hoje gosto menos um bocadinho. A cada dia que passa, o amor que te tenho vai-se perdendo pelos caminhos que tenho traçado.

O tempo? Esse vai passando, mas sem me facilitar a vida e o coração. Sem que me cure todas as minhas maleitas. O relógio não para, mas não é ele que me ajuda a curar. É a tua ausência que dita o fim.