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Vida com dois sentidos

Vida com dois sentidos

Serei sempre Novata

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 Hoje reparei que nunca mais tinha falei da Real Tertúlia dos Bastardos - o grupo académico do qual faço parte. 

Como estudante do 1º ano, fui novata. E fui tão feliz como novata. Tão feliz que gostava de ser para sempre novata e poder viver tudo vezes e vezes sem conta. É indiscritível a sensação de levar o símbolo deste grupo ao peito e poder dizer que faço parte dele.

A verdade é que somos família. Mais do que muitos imaginam. Mais do que eu estava à espera. Cada uma daquelas pessoas tornou a minha vida um bocadinho mais feliz. Semana após semana. Reunião após reunião. Foi na Real Tertúlia dos Bastardos que encontrei o meu lugar no mundo gigante que é a Academia.

Encontrei uma madrinha que me enche de amor e carinho, que me ajuda quando mais preciso, que me faz sentir especial a cada passo que damos. Tive direito a 9 fantásticos irmãos com quem "divido" a minha madrinha. E somos felizes por sermos tantos, porque, no fim do dia, o que nos une é o amor que sentimos por aquela que é a nossa "mãe" e por aquela que é a nossa casa, a Real Tertúlia dos Bastardos.

Tive direito a um Compromisso, a um Batismo, a uma Serenata. No compromisso, jurei amar a Tertúlia e honrar todos os seus momentos. Jurei ser Bastarda. No batismo, fui apelidada Fada Norte de Oz, juntando-me a uma família que não irá acabar. A Família de Oz. Na noite da monumental serenata, foi-me traçada a capa, fechando, assim, um ano que eu não queria que acabasse. O meu ano de Novata. O meu ano como bebé num mundo tão grande e maravilhoso para ser descoberto. Um ano em que as responsabilidades eram grandes, mas muito pequeninas comparadas com aquilo que ainda aí vem.

Não me importava de ser Novata outra vez. Não me importava de voltar a viver tudo de novo outra vez. Não me importava de continuar bebé, de continuar uma das pessoas novas. Aprendi tanto este ano! Fiz amigos para toda a vida. Ganhei um respeito diferente daquele que já tinha pela Academia. E fui tão, mas tão feliz!

Fui, sou e serei sempre Novata, tal como serei sempre Bastarda, orgulhosa do símbolo que leva no peito.

Mentalidades demasiado pequenas

O Rui Maria Pêgo, filho da Júlia Pinheiro, há uns dias atrás fez um post, uma espécie de reflexão, na sua página de facebook sobre o que se passou em Orlando, nos Estados Unidos, assumindo a sua homossexualidade no final do seu texto. Pois bem, até aqui está tudo bem. Sendo figura pública e filho da pessoa que é, este assunto tomou proporções gigantes na imprensa.

Ontem, numa dessas rubricas dos programas de televisão em que se fala sobre as notícias que saem nas revistas cor-de-rosa, João Malheiro deu a sua opinião. E qual é a sua opinião? Que a homossexualidade é uma doença. Eu sei que se deve respeitar a opinião de todos, mas há limites. 

É nestas alturas que eu me apercebo que, afinal, ainda não evoluímos o suficiente para aceitarmos que as pessoas não são todas iguais, que não seguimos todos o mesmo caminho, mas que, no final de contas, somos todos seres humanos e que o amor é o mais importante.

Este senhor, sendo quem é, devia ter tido um bocadinho mais de cuidado ao comentar o que estava a comentar. Devia ter tido um bocadinho mais de respeito e de bom senso. Não somos todos iguais, nem temos de o ser. Cada um é como é. O que importa é a felicidade que isso nos traz. 

Este tipo de situações deixa-me revoltada e sem palavras. Este país ainda é feito de mentalidades demasiado pequenas e não consegue acompanhar a grandeza das pessoas de que é feito. 

 

Pray for the World

 

 

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O Mundo anda, definitivamente, virado do avesso. A noção do que está correto ou o que está errado deixou de existir. O ódio veio substituir o amor. A calma e a paz deram os seus lugares ao medo e ao pânico. 

O que aconteceu em Orlando foi uma pequena (grande!) prova disso. Não existe qualquer tipo de explicação para que 50 pessoas tenham sido mortas e muitas outras tenham ficado feridas. Não existe qualquer tipo de explicação para que um "homem" ter entrado num discoteca aos tiros como se não houvesse amanhã. Não existe explicação para que um beijo entre duas pessoas, sejam elas do mesmo sexo ou não, tenha despoletado todo este cenário de sangue. Simplesmente, não existe desculpa.

O preconceito já existe há muito tempo, mas nunca foi tão demonstrada como nos últimos anos. Nunca o Mundo foi alvo de tanto ódio como agora. Nunca a humanidade foi tão atacada como nos últimos tempos. E porquê? Porque as pessoas não conseguem viver com as diferenças dos outros, porque existem estereótipos que toldam o pensamento, porque odiar o outro é muito mais fácil do que amar.

O ataque não foi uma ataque a uma comunidade. Foi um ataque a toda a humanidade. A orientação sexual de cada uma das pessoas feridas e mortas não devia importar. As escolhas que cada um faz para si, deviam ser só preocupação sua. Ninguém tem o direito de ceifar vidas desta forma. Ninguém tem o direito de dizer que este ou aquele é isto e aquilo só porque não vivem e vêm a vida da mesma forma que todos os outros.

O Mundo precisa, urgentemente, de uma mudança drástica. Para que não existam mais ataques destes, para que o ódio se dissipe e o amor percorra todos nós. Para que a paz possa ser sempre mais importante que a guerra. Depois deste ataque, o Mundo ficou mais pequenino no que toca a esperança. Somos humanos, mas cada vez menos pessoas. Porque uma pessoa, com sentimentos, com consciência, nunca faria uma coisa destas.