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Vida com dois sentidos

Vida com dois sentidos

Posso falar em homofobia?

 

Não me vou pôr aqui com rodeios, nem com falinhas mansas. Acho que não é tempo disso. A revolta, a vergonha, a perplexidade são demasiado grandes.

Afinal em que País é que vivo? Num País onde os deputados são todos uma cambada de homofóbicos? Onde os ideiais políticos - e pessoais como é óbvio - são mais importantes que a vida, a felicidade, o futuro de crianças? Crianças essas que não tem família, que não tem um futuro salvaguardado, que não tem as hipóteses que as outras crianças, que tem uma família, têm.

Onde é que anda a igualdade que tanto o nosso Primeiro Ministro, o Presidente da República, os deputados todos tem apregoado incessantemente nos últimos tempos? Onde é que estão os direitos? Porque é que um casal heterossexual pode co-adotar e um casal homossexual não pode?

Não me venham dizer que as crianças correm riscos de tomarem o mesmo caminho em relação à orientação sexual porque isso em mim não cola. Já ouvi muitos psicólogos a dizer que não existe qualquer hipótese de isso acontecer. Escusam de vir falar em bullying e de como as crianças são maldosas na escola. Eu sei que, hoje em dia, essa é a realidade da nossas escolas. Sei que imensos miúdos são vítimas de violência, quer física quer psicológica, por parte dos colegas, mas isso é uma coisa que se trabalha. Tem a ver com a mentalidade. Com a abertura desta. Com o enraizar de certos valores e certas noções que, infelizmente, hoje em dia ainda não existem.

Existem tantos casais heterossexuais que são pais e que, muito provavelmente, maltratam os seus filhos. Porque é que essa gente não é proibida de ser o tutor, de ser o educador, de ser o pai ou a mãe de uma criança? Porque é que impedem os que mais amor tem para dar de o fazer? Porque é que não fazem uma lei a impedir essa gente de ter qualquer direito sobre outro ser humano? Os homossexuais tem menos capacidades que os outros? Será que esta gente, que votou não, saberá o impacto que, a ausência do nome de um dos seus pais ou uma das suas mães nos seus documentos, terá na vida de uma criança? O que será das crianças, que são adotadas por um elemento do casal e esse mesmo elemento falecer, e o outro não tiver qualquer direito legar sobre ela? São outra vez devolvidas aos orfanatos? São entregues há família do falecido quando pode ter uma vida perfeitamente estável com om outro pai ou a outra mãe?

Vamos deixar-nos de hipócrisias, de discursos cheios de palavras bonitos, mas que são vazios em conteúdo. Estamos a falar de crianças! Crianças!

Hoje tenho vergonha em ser portuguesa. Em fazer parte deste País retrógrado. Onde as mentalidades são tão fechadas e onde os interesses pessoais são mais importantes do que a vida de pessoas que não tem poder de decisão.

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