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Vida com dois sentidos

Vida com dois sentidos

A vida política do nosso país

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Já aqui o disse e volto a repetir, não sou a maior entendida no que toca a política, mas nos últimos tempos tenho tentando estar a par de tudo o que se passa no nosso país a nível político.

Sobre as eleições de ontem? O Marcelo Rebelo de Sousa já tinha a vitória garantida. Sempre gostei muito da personalidade dele, sempre gostei dos comentários dele. Mas a partir do momento em que a sua candidatura foi anunciada, eu soube que a corrida a Belém estava ganha. Não pela sua campanha, mas pelo aparato todo feito à volta da sua figura pelos orgãos de comunicação social. Acho que ele foi levado ao colo (ele tem todo o mérito do mundo como professor e como comentador!) e que as Presidenciais foram feitas à volta dele.

Eu não voltei nele. Acho que o nosso país precisava de algo novo, de pessoas com outro tipo de ideologias. O país precisa de sangue novo e de mudança no tipo de políticas que têm vindo a ser exercidas e apoiadas. Por mim, estava lá a Marisa Matias. Por tudo o que mostrou ser nos últimos tempos, por ser um ato de mundança que há tanto é preciso neste país.

Portugal foi a votos e foi o Professor Marcelo Rebelo de Sousa que ganhou. Desejo-lhe a maior sorte do mundo e fico há espera de um PR que venha mudar tudo isto!

Quanto ao senhor Cavaco Silva... Tinha de sair e marcar a diferença pela negativa. Acho simplesmente ridícula esta atitude e esta decisão. Porque vetar a mudança, o início de um novo ciclo? A mentalidade retrógrada continua a reinar neste país. Toda esta situação deixa-me revoltada. A incompreensão existente para com estas crianças, estas mulheres e estes homens, para estas famílias, deixa-me perplexa...

Espero que esta situação seja de alguma forma revertida... 

Posso falar em homofobia?

 

Não me vou pôr aqui com rodeios, nem com falinhas mansas. Acho que não é tempo disso. A revolta, a vergonha, a perplexidade são demasiado grandes.

Afinal em que País é que vivo? Num País onde os deputados são todos uma cambada de homofóbicos? Onde os ideiais políticos - e pessoais como é óbvio - são mais importantes que a vida, a felicidade, o futuro de crianças? Crianças essas que não tem família, que não tem um futuro salvaguardado, que não tem as hipóteses que as outras crianças, que tem uma família, têm.

Onde é que anda a igualdade que tanto o nosso Primeiro Ministro, o Presidente da República, os deputados todos tem apregoado incessantemente nos últimos tempos? Onde é que estão os direitos? Porque é que um casal heterossexual pode co-adotar e um casal homossexual não pode?

Não me venham dizer que as crianças correm riscos de tomarem o mesmo caminho em relação à orientação sexual porque isso em mim não cola. Já ouvi muitos psicólogos a dizer que não existe qualquer hipótese de isso acontecer. Escusam de vir falar em bullying e de como as crianças são maldosas na escola. Eu sei que, hoje em dia, essa é a realidade da nossas escolas. Sei que imensos miúdos são vítimas de violência, quer física quer psicológica, por parte dos colegas, mas isso é uma coisa que se trabalha. Tem a ver com a mentalidade. Com a abertura desta. Com o enraizar de certos valores e certas noções que, infelizmente, hoje em dia ainda não existem.

Existem tantos casais heterossexuais que são pais e que, muito provavelmente, maltratam os seus filhos. Porque é que essa gente não é proibida de ser o tutor, de ser o educador, de ser o pai ou a mãe de uma criança? Porque é que impedem os que mais amor tem para dar de o fazer? Porque é que não fazem uma lei a impedir essa gente de ter qualquer direito sobre outro ser humano? Os homossexuais tem menos capacidades que os outros? Será que esta gente, que votou não, saberá o impacto que, a ausência do nome de um dos seus pais ou uma das suas mães nos seus documentos, terá na vida de uma criança? O que será das crianças, que são adotadas por um elemento do casal e esse mesmo elemento falecer, e o outro não tiver qualquer direito legar sobre ela? São outra vez devolvidas aos orfanatos? São entregues há família do falecido quando pode ter uma vida perfeitamente estável com om outro pai ou a outra mãe?

Vamos deixar-nos de hipócrisias, de discursos cheios de palavras bonitos, mas que são vazios em conteúdo. Estamos a falar de crianças! Crianças!

Hoje tenho vergonha em ser portuguesa. Em fazer parte deste País retrógrado. Onde as mentalidades são tão fechadas e onde os interesses pessoais são mais importantes do que a vida de pessoas que não tem poder de decisão.

Coadoção e a porcaria do referendo

 

Não percebo de política. Mesmo nada. Aliás, odeio político. Acho que tudo o que venha de senhores que mandam no país é uma catrafada de mentiras. Como não gosto, nunca fui de comentar nada que viesse nas notícias em relação à porcaria de política do nosso país, mas hoje tem de ser.

Acho vergonhoso o que estão a fazer. Se noutro dia me sentia orgulhosa por ser portuguesa, hoje tenho vergonha. Mas que raio de merda de ideia é esta de irem para a frente com o referendo da coadoção?! Que ideia é esta de porem nas mãos de um País de pessoas preconceituosas, retrógadas e sem a mínima noção do que é a homossexualidade a decisão de duas pessoas do mesmo sexo, que se amam, de terem uma família? Mas será que esta gente não tem noção da ridicularidade desta situação? De como estão a prejudicar a vida de milhares de crianças que sempre sofreram por terem sido abandonadas ou retiradas às famílias e vivem em instituições? Onde é que está a justiça? A igualdade? O direito de sermos todos feliz? O direito a ter uma família? Será que é assim tão difícil de perceber que muitas crianças são, provavelmente, serão mais felizes numa casa de um casal de homessexuais do que numa casa de um casal heterossexual que os maltrata e estão sempre a discutir? Não entendo esta gente... Se a coadoção foi proibida, desculpem que vos digas, mas eu considero que somos um país de burros. Se eu já podesse votar, era óbvio que votaria sim!