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Vida com dois sentidos

Vida com dois sentidos

Não dá para imaginar

A dor de perder uma pessoa que nos é próxima é muita. Quando se perder um avô, uma avó, um pai ou uma mãe, parece que o nosso mundo desaba perante os nossos pés. Mas quando se perde um filho... Essa sim deve ser a maior provação de uma vida. Não deve haver palavras para descrever a dor. O sentimento de perda deve ser devastador. As mães que perdem filhos devem ficar vazias, o motivo para qual elas vivem, da qual elas tiravam alegria desapareceu, por isso deixam de viver e passam a sobreviver.

A vida não é justa. Nunca o foi e já aprendi isso nos poucos anos de vida que tenho. Não qualquer explicação para uma atrocidade destas. É demasiado irreal. Demasiado injusto. Demasiado desumano. Perdeu-se uma vida, mas as que cá ficam perdem sentido, brilho, vivacidade.

Sei que a Judite de Sousa não é a única mãe que perdeu um filho. Sei que muitas mães por esse mundo fora perderam filhos e perdem filhos diariamente, que muita gente sofre deste mal que devia ser proibido por Deus ou por outra qualquer crença que por aí haja. Não é normal. Não é humano. Não tem qualquer tipo de explicação. Não dá para imaginar.

Deixo as palavras que a Judite de Sousa pediu para transmitir aos jornalistas:

"Neste momento de dor, peço a todos os colegas jornalistas que se lembrem do valor das palavras. A palavra aqui é uma: André. O filho que sempre quis e que sempre me quis. Um homem maravilhoso e irradiante de alegria, de vontade de viver, de exemplo de empenho, estudo, trabalho e força de vontade, e sempre atento, sempre disponível, sempre carinhoso. Já não irá iniciar em setembro a desafiante etapa profissional que tinha conquistado por direito próprio numa empresa multinacional, mas deixa-nos o seu testemunho e esse testemunho só pode ser traduzido por palavras. Por isso, como sabemos, nesta profissão as palavras são a nossa vida e neste momento aquilo que nos resta. O André merece ser lembrado pela forma como tocou as pessoas, com quem se cruzou, e sempre, e para sempre, a minha",

2013

 

É hoje há noite que o ano muda, que se termina um ciclo e se abre outro. Foi um ano bom e mau. Um ano de emoções fortes que vão desde as lágrimas às mais maravilhosas gargalhadas. Foi um ano de sonhos e de pesadelos, sendo uns maiores que outros. Altos e baixos não faltaram neste jornada de 365 dias, mas que fizeram com que eu me tornasse numa pessoa ainda melhor. Sei que podia ter feito muito mais ao longo deste tempo, mas não fiz. Sei que podia ter havido muito mais diversão, mas também podia ter havido mais tristeza, por isso acho que foi um ano q.b.

Não encontrei o amor da minha vida. Não fiz grandes viagens. Não cometi grandes loucuras. Encontrei e mantive amigos para a vida. Fui a festas e divertir-me imenso com os meus meninos e meninas. Fiz (e faço) parte de uma grande família chamada Lista J e fiz parte de uma campanha para a Associação de Estudantes que foi a melhor de sempre. Lutei por tudo o que acredito, lutei pelos meus amigos, pela minha família. Mantive-me fiel aos meus príncipios e em tudo aquilo que eu acredito, mesmo sendo pressionada para experimentar algumas coisas que, para mim, não tem muita piada. Cresci muito. Tornei-me um bocadinho mais mulher, ganhei ainda mais maturidade, mais responsabilidade, mais espírito crítico. Tornei-me mais perfeccionista e ganhei a ambição para querer ser melhor ainda nas coisas que faço. Ganhei um pouco mais de paixão por tudo aquilo em que estou inserida. Posso dizer que estou pronta para me tornar oficialmente adulta, que toma as suas próprias decisões sem ter de consultar ninguém. Estou pronta para fazer 18 anos. 

Foi um bom ano, mas espero que o de 2014 seja muito melhor. Vai ser o ano de todos as provas. Entrada para a faculdade. Carta de condução. 18 anos. Ter a minha indepêndencia praticamente toda. Espero que seja um ano fantástico

 

A vocês que estão aí desse lado desejo tudo de bom como desejo para mim. Espero que tenham um ano maravilhoso, que realizem muitos dos vossos sonhos e que lutem por tudo aquilo em que acreditam. Um bom ano de 2014!

 

Pedra Filosofal

 

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiros se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.

 

 

Eles não sabem que o sonho

é vinho, e espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.

 

 

Eles não sabem que o sonho

é tela. é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sonfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa de mundo distante,

rosa-dos.ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é Cabo da Boa Esperança.

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arquelim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão de átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.

 

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida.

Que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como uma bola colorida

entre as mãos de uma criança.

 

António Gedeão

 

 

Recomeçar...

 

"Recomeça…

Se puderes,

Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro,

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo

Ilusões sucessivas no pomar

E vendo

Acordado,

O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez,te reconheças"

 

Miguel Torga