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Vida com dois sentidos

Vida com dois sentidos

Não dá para imaginar

A dor de perder uma pessoa que nos é próxima é muita. Quando se perder um avô, uma avó, um pai ou uma mãe, parece que o nosso mundo desaba perante os nossos pés. Mas quando se perde um filho... Essa sim deve ser a maior provação de uma vida. Não deve haver palavras para descrever a dor. O sentimento de perda deve ser devastador. As mães que perdem filhos devem ficar vazias, o motivo para qual elas vivem, da qual elas tiravam alegria desapareceu, por isso deixam de viver e passam a sobreviver.

A vida não é justa. Nunca o foi e já aprendi isso nos poucos anos de vida que tenho. Não qualquer explicação para uma atrocidade destas. É demasiado irreal. Demasiado injusto. Demasiado desumano. Perdeu-se uma vida, mas as que cá ficam perdem sentido, brilho, vivacidade.

Sei que a Judite de Sousa não é a única mãe que perdeu um filho. Sei que muitas mães por esse mundo fora perderam filhos e perdem filhos diariamente, que muita gente sofre deste mal que devia ser proibido por Deus ou por outra qualquer crença que por aí haja. Não é normal. Não é humano. Não tem qualquer tipo de explicação. Não dá para imaginar.

Deixo as palavras que a Judite de Sousa pediu para transmitir aos jornalistas:

"Neste momento de dor, peço a todos os colegas jornalistas que se lembrem do valor das palavras. A palavra aqui é uma: André. O filho que sempre quis e que sempre me quis. Um homem maravilhoso e irradiante de alegria, de vontade de viver, de exemplo de empenho, estudo, trabalho e força de vontade, e sempre atento, sempre disponível, sempre carinhoso. Já não irá iniciar em setembro a desafiante etapa profissional que tinha conquistado por direito próprio numa empresa multinacional, mas deixa-nos o seu testemunho e esse testemunho só pode ser traduzido por palavras. Por isso, como sabemos, nesta profissão as palavras são a nossa vida e neste momento aquilo que nos resta. O André merece ser lembrado pela forma como tocou as pessoas, com quem se cruzou, e sempre, e para sempre, a minha",

Posso falar em homofobia?

 

Não me vou pôr aqui com rodeios, nem com falinhas mansas. Acho que não é tempo disso. A revolta, a vergonha, a perplexidade são demasiado grandes.

Afinal em que País é que vivo? Num País onde os deputados são todos uma cambada de homofóbicos? Onde os ideiais políticos - e pessoais como é óbvio - são mais importantes que a vida, a felicidade, o futuro de crianças? Crianças essas que não tem família, que não tem um futuro salvaguardado, que não tem as hipóteses que as outras crianças, que tem uma família, têm.

Onde é que anda a igualdade que tanto o nosso Primeiro Ministro, o Presidente da República, os deputados todos tem apregoado incessantemente nos últimos tempos? Onde é que estão os direitos? Porque é que um casal heterossexual pode co-adotar e um casal homossexual não pode?

Não me venham dizer que as crianças correm riscos de tomarem o mesmo caminho em relação à orientação sexual porque isso em mim não cola. Já ouvi muitos psicólogos a dizer que não existe qualquer hipótese de isso acontecer. Escusam de vir falar em bullying e de como as crianças são maldosas na escola. Eu sei que, hoje em dia, essa é a realidade da nossas escolas. Sei que imensos miúdos são vítimas de violência, quer física quer psicológica, por parte dos colegas, mas isso é uma coisa que se trabalha. Tem a ver com a mentalidade. Com a abertura desta. Com o enraizar de certos valores e certas noções que, infelizmente, hoje em dia ainda não existem.

Existem tantos casais heterossexuais que são pais e que, muito provavelmente, maltratam os seus filhos. Porque é que essa gente não é proibida de ser o tutor, de ser o educador, de ser o pai ou a mãe de uma criança? Porque é que impedem os que mais amor tem para dar de o fazer? Porque é que não fazem uma lei a impedir essa gente de ter qualquer direito sobre outro ser humano? Os homossexuais tem menos capacidades que os outros? Será que esta gente, que votou não, saberá o impacto que, a ausência do nome de um dos seus pais ou uma das suas mães nos seus documentos, terá na vida de uma criança? O que será das crianças, que são adotadas por um elemento do casal e esse mesmo elemento falecer, e o outro não tiver qualquer direito legar sobre ela? São outra vez devolvidas aos orfanatos? São entregues há família do falecido quando pode ter uma vida perfeitamente estável com om outro pai ou a outra mãe?

Vamos deixar-nos de hipócrisias, de discursos cheios de palavras bonitos, mas que são vazios em conteúdo. Estamos a falar de crianças! Crianças!

Hoje tenho vergonha em ser portuguesa. Em fazer parte deste País retrógrado. Onde as mentalidades são tão fechadas e onde os interesses pessoais são mais importantes do que a vida de pessoas que não tem poder de decisão.

Não acredito no amor! Nunca mais!

 

Estou profundamente triste (é o meu momento dramático, não liguem...). Estão a ver aquele casal perfeito chamado Cláudia Vieira e Pedro Teixeira? Estão separados! Isto dá para acreditar?! SEPARADOS! Como é que uma coisa destas aconteceu?
Eu sou do tempo dos Morangos com Açúcar. Era uma fã incondicional da série e adorava este casal. Sempre os achei perfeitinhos, perfeitinhos e eles estão separados? Estou triste, revoltada e passei a não acreditar no amor! Estes dois deviam estar para sempre juntos! Deviam ser daqueles casais com uma carrada de filhos atrás. Todos tão perfeitinhos como os pais. Mas não. De um momento para o outro lá se vai a perfeição e eu (tal como o resto dos fãs) fico desolada. Acho que vou chorar... Afinal não existem casais perfeitos...

Este mundo está perdido... E eu não acredito no amor... Nunca mais... 

Coadoção e a porcaria do referendo

 

Não percebo de política. Mesmo nada. Aliás, odeio político. Acho que tudo o que venha de senhores que mandam no país é uma catrafada de mentiras. Como não gosto, nunca fui de comentar nada que viesse nas notícias em relação à porcaria de política do nosso país, mas hoje tem de ser.

Acho vergonhoso o que estão a fazer. Se noutro dia me sentia orgulhosa por ser portuguesa, hoje tenho vergonha. Mas que raio de merda de ideia é esta de irem para a frente com o referendo da coadoção?! Que ideia é esta de porem nas mãos de um País de pessoas preconceituosas, retrógadas e sem a mínima noção do que é a homossexualidade a decisão de duas pessoas do mesmo sexo, que se amam, de terem uma família? Mas será que esta gente não tem noção da ridicularidade desta situação? De como estão a prejudicar a vida de milhares de crianças que sempre sofreram por terem sido abandonadas ou retiradas às famílias e vivem em instituições? Onde é que está a justiça? A igualdade? O direito de sermos todos feliz? O direito a ter uma família? Será que é assim tão difícil de perceber que muitas crianças são, provavelmente, serão mais felizes numa casa de um casal de homessexuais do que numa casa de um casal heterossexual que os maltrata e estão sempre a discutir? Não entendo esta gente... Se a coadoção foi proibida, desculpem que vos digas, mas eu considero que somos um país de burros. Se eu já podesse votar, era óbvio que votaria sim!